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Piscina, Cinthia; Cinthia, Piscina

A canelite me deixou de molho de novo. O ortopedista mandou ficar parada por duas a três semanas, tomar remédio, colocar gelo e fazer fisioterapia (a última recomendação ainda não atendi). Como me conheço e sei que não consigo mais sossegar o esqueleto, aumentei os treinos de bike e decidi encarar a piscina.

Meu nado é um estilo, digamos, plâncton misturado com pato. Então estou aprendendo tudo do zero, porque nunca fiz uma aula de natação na vida. O Diogo também voltou às raias depois de anos, mas ele nada super bem e está até fazendo tiros enquanto eu passeio com a pranchinha…

A ousadia está no horário da turma que escolhemos: terças e quintas às 6h30 da manhã. Espero ter motivação para não faltar nenhuma aula. Quando eu souber nadar de verdade, volto aqui para contar.

Por enquanto, estou gostando. Dá pra acelerar bem o coração e cansar o “corpitcho” mas, para mim, nada se compara à corrida.

P.S.: Não vejo a hora de inaugurar o Kayano 15 lindo que ganhei!

53,4 km de emoção

Andarilha largando no Desafrio 2010

Desafio e superação podem ter vários significados. Depende do ponto de vista. Correr 80 km pode ser menos significativo para um ultramaratonista do que dar o primeiro passo para uma pessoa com dificuldades de andar. Para cada pessoa, a conquista tem um valor único, muitas vezes incompreensível para quem vê de fora. Só sentindo, vivendo cada segundo, para saber o que se passa na cabeça e no coração de quem conseguiu ir além do que um dia imaginou.

Desafio a gente precisa vencer diariamente em todos os setores da vida, mas um ocupava meus pensamentos há cerca de um ano e direcionava os treinos há seis meses: correr o Desafrio, em Urubici, sozinha. Querer vencer um percurso de 52 km em montanhas, com elevação de cerca de 900 metros parecia muita ousadia para quem começou a correr há menos de dois anos e nem sabia o que era fazer uma maratona.

Ainda limpinha

Por isso mesmo, fiquei com medo do que vinha pela frente e treinei, treinei e treinei ao lado do meu super-parceiro, o Diogo. Fiquei muito triste quando ele se machucou e desistiu da prova. Além disso, fiz longões solitários de 30 e 32 km sem a companhia estimulante dele. Lá pelo final dos treinos, o tornozelo direito começou a incomodar e trouxe dúvidas se eu realmente iria conseguir fazer a prova.

Chegou a semana tão esperada e, quando me dei conta, estava na largada. Lá estavam o Diogo, pronto para fazer o

Muito feliz

percurso de bike, meus pais e minha irmã, torcendo por mim. Ao meu lado, o Hélio, o Rafael e a Rosary, inscritos para fazer solo, o William, dupla do Anastácio, e a Fabi, que dividiu o percurso com Tiago.
Largamos às 7h35 e o coração parecia saltar pela boca de tanta emoção. Corri ao lado da Rosary por uns 8 km até que ela começou a passar mal, com problemas “digestivos”, e ficou para trás. Depois de uns 10 km de estrada tivemos que atravessar um riozinho a pé porque a pinguela tinha caído. Passei rápido e gostei da água gelada que “anestesiou” o tornozelo. Depois do “canionismo”, começou a patinação na trilha de lama. Foram uns 2 km andando muito devagar para não escorregar nas subidas. O Diogo ficou para trás e me distraí conversando com uns corredores e imaginando o perrengue que meu parceiro ciclista estava passando com a bike nas costas e sapatilhas nos pés.

Emoção na chegada

Emoção na chegada

Depois da trilha atravessamos algumas propriedades rurais e chegou a parte mais nojenta, onde a única opção era pisar em uma poça de esterco (de porco, eca!) que ia até a canela. Pisei sem olhar para baixo e saí correndo igual a uma louca, pulando dentro das poças d’água.

Lá pelo quilômetro 17 cheguei à cachoeira Véu de Noiva. Entrei, me afundei até a cintura e saí com as pernas anestesiadas e um pouco menos fedorentas. O Diogo voou e me alcançou logo depois. Vi o pessoal todo no posto de abastecimento e agora era enfrentar cerca de 10 km de asfalto até o topo do Morro da Igreja.

Corri nos trechos planos, nas descidas e no comecinho das subidas sempre que dava. Quando subia, o jeito era caminhar, mas consegui ir tranquila, com passos largos, num ritmo melhor do que eu esperava. Começou a gelar, as mãos incharam e coloquei luvas. Encontrei o Rafael descendo, o Hélio e o Tiago.

Tomei cuidado para não ficar sem combustível e coloquei alguma coisa para dentro de hora em hora. Com 3h44 de prova e mais ou menos 27km, cheguei ao topo e não acreditei que tinha conseguido. Fiquei emocionada. Tomei alguma coisa e desci. Estava muito feliz.

O melhor parceiro do mundo

Na descida o tornozelo atrapalhou, mas eu já esperava por isso. Não consegui soltar o freio de mão porque ele doía quando eu ia muito rápido. Então fui administrando, correndo sem forçar, me alimentando e conversando com o Diogo. Encontrei o William subindo, mesmo com a panturrilha machucada, e a Rosary, que chegou com garra ao topo apesar de estar mal.

Os quilômetros foram passando e, depois do 32, tudo era novidade para meu corpo, porque essa era a maior distância que eu já tinha corrido na vida. Fui babando com as paisagens e, quando dei conta, tinha completado uma maratona: 42 km! Ainda faltavam mais de 10km para terminar, mas, surpreendentemente, eu me sentia muito bem. Estava animada, mais inteira do que esperava e conseguia correr. Não estava cansada. Percebi que a força para vencer grande parte das dificuldades estava na cabeça e eu havia me preparado bem nesse sentido.

Quando as descidas terminaram eu sabia que a pior parte estava por vir. São cerca de 10 km planos em estrada de terra e depois dentro da cidade que não acabam nunca. Dá muita vontade de caminhar, mas coloquei na cabeça que ia fazer aquilo correndo. Eu “me mandava correr” e o Diogo levantava minha moral o tempo todo. Corri numa média de 7 min/km, mas praticamente não andei. Quando faltavam uns 5 km para a chegada, vi meu pai na beira da estrada dando força. Seguindo a orientação do Diogo, transformei a emoção em energia e consegui correr a 6min/km àquela altura do campeonato!

Entrei na cidade e comecei a desanimar porque a droga do portal de chegada não aparecia! Já tinha fechado 52 km e nada de ver o maldito! Nessa hora, sem o Diogo ao lado, eu certamente teria caminhado. Apesar de estar perto do final, fazer 1 km era um sacrifício imenso.

Eles me esperavam na chegada

Quando a miopia permitiu que eu visse o portal, pedi para o Diogo ir lá me esperar. Ouvi minha família e os Andarilhos gritando meu nome e terminei a prova desabando de emoção. Eu consegui!

Nem lembro direito o que aconteceu nessa hora. Eu estava “anestesiada”, não acreditava que tinha terminado. Parecia um sonho. Só lembro de flashes na cara e abraços bem apertados a ponto de não conseguir respirar.

Na hora da emoção, nem lembro se agradeci devidamente todos que me levaram para frente nesse Desafrio! Primeiro, não tenho palavras para agradecer o Diogo. Se não fosse ele, os treinos não seriam os mesmos e, certamente, os 53,4 km não teriam durado 6h54. A prova seria muito mais demorada e penosa. Obrigada, também, por ter me aguentado falando só disso durante mais de 20 dias, por me deixar sempre  confiante e por ouvir todas as minhas lamentações… Não sei se teria conseguido fazer tudo isso sem o meu parceiro-marido-amigo-treinador!

Aos meus pais e minha irmã, obrigada de coração pelo apoio, por me ouvirem nas horas de ansiedade e por estarem lá,

Bônus: 3º lugar na categoria

torcendo por mim e vivendo essa alegria comigo. Saber que vocês estavam esperando lá no finalzinho me motivava ainda mais a cada passo!

Aos Andarilhos, por me deixarem tranquila, pelas orientações técnicas, pela torcida e pela animação, muito obrigada!

Não posso deixar de agradecer a Deus por ter me permitido viver esse dia tão especial e completar a prova com saúde.

Voltando àquela historinha da superação, para quem vê de fora pode parecer bobagem, mas só quem passa por isso sabe o que eu senti, aprendi e o que essa conquista significou na minha vida.

Obs.: O bônus de tudo isso foi que eu subi em um pódio pela primeira vez. Fiquei em 3º lugar na categoria e em 11ª no geral feminino, entre 25 atletas. Mais uma vez, a Andarilha arrasou: o Rafael conquistou o 3º lugar e a Fabi e o Tiago ficaram em 2º. O William chegou ao topo mesmo com dor na panturrilha e o Anastácio desabou morro abaixo. O Hélio, nosso anfitrião, mais uma vez fez uma super prova.



Um dia inspirador

Domingo, dia 30, a Ilha recebeu uma grande lição de superação dos triatletas que coloriram praias e ruas enquanto venciam os próprios limites no Iron Man Brasil 2010. Um deles, que muito orgulha nossa equipe, foi o Rafael Pina, que participou da prova pela segunda vez.

Madruguei para ver a largada e, mais uma vez, valeu a pena ver a multidão de atletas se jogando no mar enquanto o sol nascia. Deu pra ver o Iron Andarilho antes da prova, desejar boa sorte e fazer umas fotos legais. Depois da transição, vimos todos os atletas passarem de bike, encontramos o Rafael pedalando a caminho de Jurerê e, no final do dia, voltamos para ver a corrida. O Diogo fez o pacing mais “chique” da vida dele acompanhou o Rafael nos últimos 10 km da maratona.

O final da história é que o Iron Amigo completou a prova em 10h40, quase uma 1h30 (!) a menos que no ano passado. Parabéns!

Ironpina prestes a largar

A mulherada arrasou na prova

Exemplo!!

Luke Mackenzie, 1º colocado

Brasileiro Santiago Ascenço, 3º colocado

Chegada!

Estreia no Costão do Santinho

A Andarilha passou a véspera da Páscoa suando no Mountain Do Costão do Santinho 2010. Um quarteto tinha Hélio, Tiago, William e Fabi. Outro, Diogo, Varela, Taty e Cinthia. O Varela largou pela nossa equipe e se tornou invisível quando passou pelo Costão depois da primeira volta: ninguém o viu! Chegou super bem, com 2h04.

Chegaaando!

CINTHIA – Meu trecho começava com dunas. Estava calor e as subidas na areia mole não eram fáceis. Na “escalada” da duna mais alta, o GPS acusou 18min/km! Para compensar a lerdeza, aprovei as descidas ao máximo. Foram mais ou menos 3km de areia fofa até o Moçambique, onde corri antes de pegar a estrada que costeia a praia. Esse trecho, onde eu gastaria as energias por 6 km, não era o que mais me preocupava, mas foi o mais difícil. O sol estava forte, a areia era “semi-fofa” e a paisagem não mudava. Fechar o 1º quilômetro naquela via desértica não me animou – faltavam 5! O cinto de hidratação batia no estômago e me deixou bem enjoada. Lá pelo 8° quilômetro consegui firmar a coisa no quadril e a situação digestiva começou a melhorar. A água que eu levei foi quase toda jogada na cabeça.

Terminei os primeiros 10km em 1h08 e peguei a praia do Moçambique. Depois entrei nas trilhas do Rio Vermelho. Lá havia algumas sombras e terreno mais duro, mas era preciso atenção para não tropeçar em raízes e galhos. Foram mais 3km assim até que a areia fofa voltou, mas aí já estava no fim! Aproveitei que um cara veio buscar o atleta da frente e colei neles. Na Barra da Lagoa, o Diogo me esperava no posto de troca. Entreguei a pulseira fechando 16km em 1h47. Andarilhos me cercaram e o Tiago me deixou rosa com um banho de maltodextrina.

DIOGO – A Cinthia chegou voando e com uma empolgação incrível! Com isso, acabei largando mais forte que queria. Saí coladoEle alcançou o Capitão em um cara e uma mulher. Essa eu passei logo no início da praia, mas o rapaz estava muito forte, então decidi diminuir a empolgação e o ritmo, pois sabia que havia um baita morro à minha espera.

Corri até o pé do morro e a partir daí comecei a caminhar forte. Nos míseros trechos semi-planos eu trotava. No topo do morro, o rapaz da minha frente desabou no chão de cansado. Daí para frente não parei mais de correr: morro abaixo eu despencava, nas subidinhas eu trotava e no plano eu corria. Terminei o trecho em 44min. Para quem não estava a fim de forçar, até que o ritmo foi muito bom.

O próximo trecho era praticamente a volta do primeiro com uma pequena diferença no começo. Utilizei exatamente a mesma estratégia da ida. Quando já estava na Barra da Lagoa, avistei o Hélio uns 300m à minha frente e não acreditei no que estava vendo. Eu havia alcançado o Capitão! Não pensei duas vezes, dei um gás até alcançá-lo e pulei em suas costas. Daí para frente fomos juntos até o final da prova. Fechei o segundo trecho em 54 min e entreguei a pulseira para a Taty. O tempo total foi 1h38, com média de 7min49/km.

Depois de três meses parada e com pedra nos rins, a Taty fechou o trecho super bem, em 1h53. Concluímos a prova em 7h25 e ficamos em 5º lugar! O outro quarteto da Andarilha papou a 4ª colocação. Depois foi só descansar e esperar o coelhinho da Páscoa.

Multisport Brasil 2010 – Cinthia

Dupla nº 103

Dupla nº 103

A ansiedade roubou o sono na noite anterior ao Multisport e não dormi mais de 4 horas. Participei da prova em dupla com o Ironman Rafael Pina. A Andarilha, aliás, bateu recorde de participação: o Diogo foi individual, o Dariva e o Anastácio formaram dupla e o Hélio, a Fabi e o Tiago repetiram o trio do ano passado.

O Rafael largou às 6h40 no Morro das Pedras e fez o primeiro trecho: corrida até o Pântano do Sul, com trilhas, praias e morros, totalizando 10,5km. Cerca de 1h30 depois, chegou à transição para a bike entre os primeiros. Fez tudo muito rápido e foi para o Morro do Sertão. Pedalou 28km até o Novo Campeche, onde eu esperava para correr.

Larguei às 9h36. Logo no começo, o menino da organização disse para ir costeando o matagal, à esquerda da trilha. Corri 50 metros e não encontrei saída. Tive que voltar tudo para pegar a trilha e, nessa hora, achei outro atleta que fez a mesma coisa. Já comecei com raiva do fiscal.

Como eu não tinha conseguido tomar café, acabei perdendo a noção e comendo muito perto da hora de correr. No começo, segui tranquila, mas depois de meia hora comecei a ver umas manchas entre as dunas e fiquei enjoada. Com medo de passar mal, dei umas caminhadas a mais para recuperar o estômago.

Primeira transição do "IronPina"

Primeira transição do "IronPina"

Fechei os 8,5km em 1h07 e logo já estava remando na Lagoa. Foi muito bom para o estômago parar de pular. Essa etapa é a mais chata. Peguei vento contra em boa parte do trajeto, mas pior foi o caiaque, mais lento que o do ano passado. Sem falar na dor nas costas que o desgraçado deu. Depois de 8,5 km de água e 1h36, cheguei ao Rio Vermelho.

Peguei a bike e fui com vontade para a trilha. Ano passado fiz os 14km em 1h20 e o que mais me desafiava era melhorar esse tempo. Com a suspensão nova, ficou mais fácil. Acho que três atletas passaram por mim nesse trecho e, toda vez que isso acontecia, eu forçava para grudar atrás enquanto fosse possível. Não sou fã de trilha, mas foi divertido. O trecho passa por dentro do parque do Rio Vermelho e é bem variado: mato, galho, pinha, barro, areia e um pouquinho de asfalto. Nem acreditei quando cheguei ao Engenho Eco Park em 59 minutos!

Na transição, tomei um Gatorade quase inteiro em tempo recorde (a concentração foi tanta no pedal que quase não bebi nada) e fui para a trilha que ia parar em Ratones. “Escalei o morro caminhando embolada com uns 3 atletas em cerca de 25 minutos. Nos últimos quilômetros, acabei corri com uns atletas do individual até o final. Foi bom porque um estimulava o outro.

Ele correu sozinho, mas é meu maior parceiro

Ele correu sozinho, mas é meu maior parceiro

Cheguei ao Rio Ratones em 1h11 e o Rafael pulou no caiaque. Peguei a chave do carro e fui trocar de roupa. Quando estava descalça, de shorts e top, consegui trancar a chave dentro do carro. Corri desesperada, pedi ajuda para o pessoal e o anjo do Hélio foi até a casa do Rafael buscar a chave extra.

Problema resolvido, não vi a transição do meu parceiro para o último trecho e nem a chegada, atrapalhei a vida de toda a equipe e virei motivo de piada para os próximos anos.

Fechamos a prova em 9h57, 5º lugar na categoria. Fiz meus trechos em 4h57, com apenas 4 minutos somados de transição. No ano anterior, fiz tudo igual em 5h25. Foi show, mas eu não precisava me superar na burrice…

O trio ficou em 6º, Dariva e Anastácio fecharam em 6º e o Diogo e o Varela chegaram juntos em 23°. Ano que vem, tem mais!

Multisport 2010 – Diogo Solo

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Os preparativos para a prova iniciaram na quinta-feira com a separação das roupas. Na sexta foi a vez da comida e da bebida, tudo isso para que no sábado a única preocupação fossem os 90 km que eu teria que fazer.

P3210195Sábado acordei às 4h30. Às 5h20 o Varela e o Taka apareceram na frente do condomínio. A largada foi às 6h40 na metade da praia do Morro das Pedras. O trecho era de 10,5km de corrida e, como sempre, a areia estava fofa. Comecei devagar, pois sabia que ainda tinha muito pela frente. Quando vi que havia passado pela Fabi (integrante do trio da Andarilha), achei que estava um pouco forte, mas como eu estava correndo com o Varela, não dei muita bola. Terminei o primeiro trecho em 1h43, 17 minutos abaixo do tempo esperado. Na transição comi uma batata com muito sal, uma bisnaguinha e bebi uma garrafa de Gatorade.

O segundo trecho era de 28km de bike. A estratégia era pedalar mais tranquilo no começo para que no Morro do Sertão não fosse necessário empurrar a bike e pudéssemos poupar as panturrilhas. A estratégia deu certo, o morro foi transposto sem maiores dificuldades, veio o paralelepípedo infernal do Ribeirão e depois o terreno melhorou. Finalizei o trecho também em 1h43, novamente 17 minutos abaixo da expectativa. Mas o que realmente impressionou foi a equipe de apoio, que estava muito melhor que os atletas. Tenho certeza que todas as outras equipes ficaram se “coçando” de inveja. Tínhamos tudo que precisávamos: comida, bebida, alongamento (esse recurso digamos que ajudou bastante o Varela) e um lugar limpinho para sentar e se trocar. Bebi mais uma garrafa de Gatorade, comi uma batata e uma bisnaguinha.

Partimos para o terceiro trecho, uma corrida de 8,6km nas dunas. Aqui comecei a sentir enjôo, então dei uma diminuída no ritmo. Depois foi a vez de o Varela reclamar das penas travando. Mantivemos o ritmo um pouco abaixo do projetado para evitar problemas futuros. Na subida da duna encontramos o Negão com o joelho machucado, dei apoio para ajudá-lo a subir a duna e quase tive cãimbra nas panturrilhas. Quando terminei e olhei para trás o Varela estava “estarrado” na areia com cãimbra na coxa. Andamos o resto da duna até a Avenida das Rendeiras. Lá voltamos a correr e terminamos o trecho em 1h17, 7 minutos acima da meta. Novamente, sem palavras para o apoio.

Iniciamos o trecho seguinte, 8,5 km de caiaque, às 11h42. As duas pernas de caiaque da prova eram, para mim, sem dúvida, a parte mais desgastante. Para minha surpresa, terminei o trecho em 1h22, 23 minutos abaixo do esperado, mas com as costas e os ombros destruídos. Já tínhamos passado da metade da prova e minhas pernas, por incrível que pareça, estavam ótimas.

Às 13h16 parti para 14km de bike. Esse trecho era bastante técnico, pois tinha várias partes com areia fofa e raízes, elementos mais que perfeitos para um belo tombo. Mas tudo correu dentro do esperado e terminei o percurso em 57 minutos, 3 minutos abaixo do planejado. A essa altura, já tinha 7h20 de prova e ainda faltavam dois trechos de corrida e um de caiaque.

Após mais uma comilança, parti às 14h20 para o 6º trecho, com 7km de corrida. O início era uma subida muito puxada. O Varela começou a sentir as pernas travar e a subida, que era para ser feita em torno de 25 minutos, levou 40 minutos. O restante do percurso era predominantemente de descidas, mas optamos por andar para poupar as energias. Terminamos o trecho com 1h41, 31 minutos além do esperado.

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Chegou a vez do trecho mais duro da prova: 9,5km de remo. Além do cansaço acumulado da prova, os ombros e as costas já estavam destruídos do último caiaque. E para dar uma pitada de crueldade, a maré estava enchendo. Resumo da ópera: terminamos o trecho em 2h05, 5 minutos além do planejado, mas a dor nas costas e nos ombros era muito maior que eu gostaria.

Ufa! Agora só faltavam 4,5km de corrida para o final da prova. E para quem já tinha chegado até aqui, era moleza. Mas para não deixar o final tão fácil, acabei descobrindo um escorregador natural no meio da trilha (uma pedra íngreme cheia de limo). O “estabaco” foi inevitável. Finalizei trecho em 37 minutos, 7 minutos acima do esperado.

Terminei o Multisport 2010 com 12h08, às 18h48, e com uma certeza: ano que vem farei solo novamente, mas dessa vez com minha esposa ao lado e, se o Varela quiser vir junto, está convidado.

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Links para os logs dos percursos:

1 – http://connect.garmin.com/activity/27543525

2 – http://connect.garmin.com/activity/27543531

3 – http://connect.garmin.com/activity/27543535

4 – http://connect.garmin.com/activity/27543540

5 – http://connect.garmin.com/activity/27543543

6 – http://connect.garmin.com/activity/27543545

7 – http://connect.garmin.com/activity/27543548

8 – http://connect.garmin.com/activity/27543551

Corrente estourada e solidariedade

Foto retirada da internet

Foto retirada da internet

Ontem (10/03), às 19h,  saí para pedalar com a minha esposa e, já no começo do pedal, notei que alguma coisa na minha bike não estava encaixando bem. Continuei pedalando e o “mal encaixe” sempre estava presente. Então comecei a pensar o que poderia ser. Após vários testes, percebi que o “mal encaixe” era cíclico: a cada 5 pedaladas ele aparecia.  O principal componente que apresenta esse sintoma é a corrente. Então comecei a achar que era falta de lubrificação. Pensei: “Quando chegar em casa, lubrifico a corrente e problema resolvido.”

Mas não foi bem isso que aconteceu! Pedalei cerca de 55 min e fui para a aula de Krav Magá. Na volta para casa, quando estava subindo a passarela da Av. da Saudade, tive certeza que o problema era a corrente, pois ela estourou. Terminei de subir a passarela empurrando a bike. Lá em cima, pela primeira vez, tive que usar a ferramenta de consertar corrente (antes, só tinha usado ela em casa, nas revisões).

Quando eu estava arrumando a dita cuja, tive uma grande surpresa. A maioria dos ciclistas (não os que usam a bicicleta para passeio, mas os que pedalam mesmo, equipados :P ) paravam e perguntavam se eu precisava de ajuda. Eu agradecia e dizia que estava tudo sob controle, então eles seguiam em frente.

Quando terminei de arrumar a corrente, notei que o  “quick release” tinha sumido. Nessa hora, um rapaz que subia a passarela parou, sentou ao meu lado e perguntou: ”Precisa de ajuda?” Eu disse que já tinha consertado a corrente, mas que tinha pedido uma peça. Ele disse: “Já que estou cansado, vou descansar e aproveito para te ajudar a procurar”.

Um minuto depois chegou amigo do rapaz, que também começou a me ajudar. Quando já estávamos desistindo de procurar a peça, por um milagre a encontrei. Agradeci fortemente os dois rapazes, montei a bicicleta e fui para casa.

Apesar da desgraça de ter arrebentado a corrente, no final de tudo fiquei feliz em ver que ainda existem pessoas que se preocupam com o próximo.

Novamente, gostaria de agradecer a todos que me ajudaram e aos que perguntaram se eu precisava de ajuda.

Valeu pessoal!!!!!

Inspiração sobre rodas

arbre

A ideia do blog é falar de inspiração (em todos os sentidos), por isso aqui vão duas atitudes bem inspiradoras. Uma delas é um abaixo-assinado, de iniciativa da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), pela construção de uma ciclovia junto à Via Expressa (BR 282), que liga a BR 101 à Ilha de Santa Catarina. Já pensou que maravilha seria? Para participar, basta acessar www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5735.
Outra novidade é o Plante Árvore Sobre Rodas: Em uma aventura de bicicleta, os diretores do Instituto Brasileiro de Florestas (IBFlorestas) pretendem percorrer o Brasil, do Arroio do Chuí ao Oiapoque, convidando as pessoas a plantarem árvores. O objetivo é plantar cerca de 200 milhões de árvores e envolver as pessoas das diversas regiões pelas quais o projeto passar. “O esperado não é apenas percorrer o Brasil plantando árvores, mas mover olhares para um país mais consciente ambientalmente, no qual todos possam ajudar percorrendo um trecho dessa aventura ecológica e plantando a sua própria árvore”, explicam os organizadores. Em breve, eles prometem divulgar mais detalhes sobre a aventura ecológica. Vamos acompanhar por aqui (www.ibflorestas.org.br) e pelo twitter, no @plantearvore que, aliás, planta uma árvore a cada seguidor que conseguir!

A ideia do blog é falar de inspiração (em todos os sentidos), por isso aqui vão duas atitudes bem inspiradoras. Uma delas é um abaixo-assinado, de iniciativa da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), pela construção de uma ciclovia junto à Via Expressa (BR 282), que liga a BR 101 à Ilha de Santa Catarina. Já pensou que maravilha seria? Para participar, basta acessar www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5735.

Outra novidade é o Plante Árvore Sobre Rodas: Em uma aventura de bicicleta, os diretores do Instituto Brasileiro de Florestas (IBFlorestas) pretendem percorrer o Brasil, do Arroio do Chuí ao Oiapoque, convidando as pessoas a plantarem árvores. O objetivo é plantar cerca de 200 milhões de árvores e envolver as pessoas das diversas regiões pelas quais o projeto passar. “O esperado não é apenas percorrer o Brasil plantando árvores, mas mover olhares para um país mais consciente ambientalmente, no qual todos possam ajudar percorrendo um trecho dessa aventura ecológica e plantando a sua própria árvore”, explicam os organizadores. Em breve, eles prometem divulgar mais detalhes sobre a aventura ecológica. Vamos acompanhar por aqui (www.ibflorestas.org.br) e pelo twitter, no @plantearvore que, aliás, planta uma árvore a cada seguidor que conseguir!

Desencontros nas dunas

Na Armação, antes da largada

Na Armação, antes da largada

No último sábado fizemos um super treino para o Multisport: trechos 1, 2 e 3. Acordamos às 5h30, arrumamos tudo, encontramos o Varela e o Takamori e fomos até a Armação. Corremos no sentido sul, pegamos a trilha do Matadeiro e depois a trilha que dá na Lagoinha do Leste. Esse trecho é super técnico e eu estava uma verdadeira pata. Acabei segurando demais o Diogo e o Varela, mas eles preferiram me esperar. Subimos então a trilha da Lagoinha do Leste e percebi que deveria ter poupado um pouco mais as pernas durante a semana. Na quinta fizemos 10 km em 51min09s (novo recorde para mim) e na sexta malhei perna. Acho que não recuperei direito.

Na descida da trilha, com sombra, a coisa mudou. Fui atrás do Diogo e descemos num ritmo muito bom. Fizemos cerca de 9 km em 1h40, 12 minutos a menos que no treino anterior. Chegamos ao Pântano do Sul, encontramos o Takamori, que estava fazendo apoio, e pegamos as bikes. Próximo destino: “só” o Morro do Sertão! A estrada tinha muito mais pedregulho do que no último treino. Consegui pedalar menos do que na última vez porque, além de força, é claro, o trajeto exigia muita técnica. Apesar disso, a prova de fogo da bike turbinada foi dez. Com a suspensão nova, parecia que eu estava fazendo outro esporte, de tanta diferença que ela fazia nos pedregulhos, buracos e, principalmente, nas descidas. Com o freio melhor regulado, então, fiquei bem mais segura.

Depois do Sertão seguimos para o Novo Campeche, fechando 30 km de bike. Comida, água, filtro solar e 8,5 km de duna pela frente. Ou mais.

Segui num ritmo muito lerdo e logo os dois me passaram. O sol estava forte e qualquer areia mais fofa me obrigava a caminhar. Antes da entrada principal à esquerda, tivemos que tirar a areia dos tênis. Um pouco depois, o Diogo parou de novo para ver o pé e eu fui seguindo porque sabia que logo eles me alcançariam. Ali, a trilha ficou mais firme e consegui correr razoavelmente. Encontrei umas encruzilhadas, fui por onde achei que era e tempo depois ouvi o Diogo, longe, chamando pelo meu nome. Respondi, entendi que estava errada, mas achei que acabaria saindo no lugar certo. Ele não respondeu nada porque não me ouviu.

Depois da bike e antes das dunas

Depois da bike e antes das dunas

Corri mais e vi que a trilha ia cada vez mais para a esquerda. Comecei a encontrar muitas subidas e achei melhor procurar a trilha certa. Varei o mato e encontrei o caminho, mas nem sinal de Diogo e Varela. Comecei a ficar preocupada e louca pra achar eles, que deviam estar mais preocupados ainda. Continuei e sabia que, mais à frente, encontraria um campinho e de lá seria fácil chegar à Av. das Rendeiras. Só que o campinho não aparecia.

Quando achei que tinha andado demais, subi uma duna e vi que estava quase no tal campinho. Já dava para ver a Lagoa também. Já na rua, parei para tirar a areia que estava expulsando o pé dos tênis. Quando cheguei, só encontrei o Varela porque o Diogo tinha voltado pra me procurar. Sorte que ele ficou com um celular e os meninos ligaram para avisar que eu tinha chegado. No final das contas, com idas e vindas, ele acabou fazendo uns 13 km e eu uns 9 km. O Varela saiu para remar na Lagoa e nós voltamos pra casa com mais de 5h de treino nas costas.

Chapolina turbinada

Estreia da Chapolina nova no morro da Lagoa

Estreia da Chapolina nova no morro da Lagoa

Apesar de a semana ter começado com Carnaval, foi uma das mais bem treinadas do ano. Terça-feira começamos com 8 km de corrida levinhos. Na quarta, pedalamos 25 km no meio das obras da Beira Mar – aliás, alguém sabe quando aquilo vai terminar? Quinta-feira foi a vez de correr forte. Fizemos 10 km com média de 5min15s/km. Acho que foi meu recorde para essa distância.

Acidente de percurso

Acidente de percurso

Sábado fizemos um longo de 17,5 km de corrida no final do dia, na Beira Mar. Depois nos abastecemos (o Diogo se afogou na moqueca de siri que a irmã dele fez) e dormimos bem para ter energia para o dia seguinte.

Domingo foi o grande dia da inauguração da minha bike turbinada. O Diogo comprou quadro novo (do meu tamanho), uma suspensão muito boa e trocou outras peças que já estavam velhas. A Chapolina ficou poderosa e linda! Saímos às 8h, já sem horário de verão. Subimos o morro da Lagoa e, no centrinho, ouvi um barulhão de ar soprando. Era o pneu traseiro do Diogo.Voltei para procurar o motivo do buraco (tinha que ser algo muito grande para fazer tanto barulho) e logo o Diogo viu que a “coisa” ainda estava no pneu. Era um pedaço de pinça com a ponta dobrada.

Cada coisa que jogam na rua!

Cada coisa que jogam na rua!

Problema resolvido, pegamos a Avenida das Rendeiras e, com suspensão nova, passei por lá pela primeira vez sem tremer o cérebro nos paralelepípedos. Subimos o morro da Mole, o da Barra e seguimos em direção ao Rio Vermelho. Delícia pedalar naquela reta interminável com sombra fresquinha!

Do Rio Vermelho fomos até Ingleses sob muito sol. Chegando lá, paramos num supermercado e compramos gatorade e coca. Morri de vergonha quando o Diogo colocou as coisas dele em cima do freezer de picolé do mercado e abriu um saquinho com bisnaguinhas que levamos junto. Mas como lá tinha ar condicionado, acabamos fazendo lanche no meio do mercado mesmo.

Mais forte do que um rato, mais rápida do que uma tartaruga!

Mais forte do que um rato, mais rápida do que uma tartaruga!

De volta à bike, misturei o resto de gatorade de uva com o resto de maltodextrina de tangerina que tinha na caramanhola e fiz um “maltorade” com cor estranha que me salvou até chegar em casa. Pedalamos forte na volta, pela SC 401, com o sol na cabeça. Chegamos com 3h20 de pedal, contando as paradas. Deu 62 km a uma média de 20km/h.

A bike passou pelo teste: menor, mais levinha e suspensão ótima (deixou a antiga parecendo quase um touro mecânico). O freio, que o Diogo regulou, também está mais leve e dá mais segurança nas descidas. Só falta levantar um pouco o banco. Deixei ele muito baixo e as pernas sofreram.

Agora tenho que treinar para ficar à altura de uma bike tão boa. Também preciso me acostumar com ela, já que falta menos de um mês para o Multisport.